Sertão da Paraíba terá representatividade na 14ª Conferência Nacional de Saúde. Fotos!
7ª Conferência Estadual de Saúde entra pela madrugada e escolhe delegados para a etapa Nacional
Alguns dos delegados que
representaram a Regional de Saúde de Cajazeiras com o Diretor Nacional
de Auditoria do SUS, Adalberto Fulgêncio
Delegados da região sertaneja foram escolhidos para representar a
Paraíba na Conferência Nacional de Saúde. As escolhas ocorreram dentro
da 7ª Conferência Estadual de Saúde da Paraíba, promovido no Espaço
Cultural, em João Pessoa. Evento durou três dias e só terminou por
volta das 2h desta sexta (21).
Foram eleitos os 72 delegados (36 representantes de usuários; 18
trabalhadores e 18 gestores do SUS), que vão representar a Paraíba na
Conferência Nacional, no período de 30 de novembro a 4 de dezembro
deste ano.
O evento contou com a participação de 900 pessoas, entre usuários,
trabalhadores e gestores do SUS nos 223 municípios paraibanos, além de
representantes do Ministério da Saúde, Governo do Estado e Ministério
Público, a exemplo do Diretor Nacional de Auditoria do SUS, Adalberto
Fulgêncio dos Santos Júnior, além da chefe da Controladoria Geral do
Estado, Luzemar Martins, a Secretária de Saúde de João Pessoa e
presidenta do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde-COSEMS,
Roseana Meira, dentre outros.
Com o Tema: "Todos usam o SUS! SUS na seguridade Social. Política
Pública. Patrimônio do Povo Brasileiro", o evento buscou construir
condições de acesso, acolhimento humanizado e a qualidade da atenção
integral à saúde.
Muitas propostas foram abordadas e aprovadas para serem discutidas em
Âmbito Nacional, com ênfase na contrariedade absoluta, demonstrada pela
maioria dos participantes, no que diz respeito a qualquer forma de
privatização nas instituições públicas de saúde do Estado da Paraíba.
A plenária final do evento aprovou 63 propostas que serão consolidadas
em 35 a serem levadas para a etapa nacional em Brasília. Esse trabalho
de consolidação será feito pelos delegados eleitos em parceria com a
comissão da relatoria.
Momento Cultural
Em meio às discussões acaloradas, os participantes da 7ª Conferência
da Saúde deram uma pausa para a cultura. Na tarde da quinta-feira
(20), o médico imunologista, ator e diretor de teatro, Vítor Pordeus,
apresentou a palestra "Saúde, Arte e Prevenção”. Aos 31 anos, o jovem
médico carioca, neto de paraibanos da cidade de Sousa, tem um currículo
invejável, com especializações, mestrados, doutorados, descobertas
científicas e estudos fora do país, mas ele faz questão de dizer que
não tem vaidade com nada disso, porque não foi aí onde se encontrou
como ser humano, mas nos trabalhos de arte que desenvolve levando saúde
para as ruas, através da alegria, da descontração e do improviso.
Com a ajuda das atrizes Clara Soria e Gabriela Haviaras, Vítor Pordeus
fez, no Teatro Paulo Pontes, uma demonstração do trabalho que
desenvolve no Rio de Janeiro, onde trabalha no Núcleo de Cultura,
Ciências e Saúde, da Secretaria de Saúde do Município. "A idéia é de
uma ação improvisada que estimula a participação, a criatividade, a
surpresa e a imprevisibilidade, para que as pessoas se liberem e se
libertem. E, no final, tudo leva ao exercício criativo que é um
mecanismo gerador de saúde”, disse Vítor que ainda parafraseou Paulo
Freire: "Criar e recriar o mundo a nossa volta”.
O resultado do trabalho que desenvolve no Rio com moradores de rua, com
pessoas em situação de risco, com sofrimento psíquico, deixando que
cada um seja ator se expressando da melhor forma que lhe convenha, é
comprovado na prática com a instalação de 14 escolas populares de saúde,
no Rio de Janeiro, e mais de 600 pessoas envolvidas nesse trabalho no
país, culminando com a criação de uma Universidade Popular de Artes e
Ciências.
À tarde, Vítor Pordeus foi convidado a dar uma oficina no Centro
Formador de Recursos Humanos (Cefor), da Secretaria de Estado da Saúde,
para enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, professores e
agentes comunitários de saúde que trabalham em dois projetos
desenvolvidos na capital.
Um desses projetos é o "Consultório de Rua”, do Ministério da Saúde,
vinculado com a Prefeitura Municipal, onde os profissionais, chamados de
"redutores de danos”, abordam moradores de rua e pessoas em
vulnerabilidade social e oferecem atendimento na hora, além de
encaminhá-los para os serviços de saúde ou para abrigos, e agilizam para
que tirem seus documentos e outros serviços que vão surgindo de acordo
com as demandas.
Para Fernanda Nunes, uma de muitos observadores presentes, "o que fez a
7ª Conferência Estadual de Saúde valer ainda mais a pena foi a
palestra 'Saúde, arte e prevenção', ministrada pelo médico pediatra,
Vitor Pordeus, da cidade do Rio de Janeiro, pena que nesse momento a
plenária estava quase que vazia, isso mostra a importância que damos a
arte e a cultura como formas de promoção de saúde e prevenção de
doenças, principalmente mental, aí depois reclamam que os CAPS não
estão funcionando como deveriam, se eles mesmo não se interessam. Esse
médico do RJ é muito bom, ele disse que sua profissão era 'animador de
feiras de saúde' e que seu consultório é a praça pública (mesmo tendo
doutorado) isso me chamou muito a atenção, já que tantas pessoas
começam suas falas dizendo: sou médica lá 'não sei das quantas' como
se isso fosse lhe garantir credibilidade".
O enfermeiro e músico Tiago Sotero, que trabalha no projeto, ficou
encantado com a oficina. "Em trabalhos como este, onde a saúde é tratada
de uma forma mais leve, e, portanto, com muito respeito, há uma
sensação de gratidão, onde ajudamos o próximo, enxergando o ser humano
como ele é e respeitando a liberdade de escolha de cada um”, disse.
Já Soraya Fidelis é auxiliar de saúde bucal e trabalha na Unidade de
Saúde da Família José Américo I. Ela faz parte de uma ação, junto de uma
equipe multiprofissional, da Secretaria Municipal de Saúde da capital,
onde a proposta é levar prevenção e saúde através do teatro de rua,
trabalhando temas como o racismo, a violência contra a mulher, o
alcoolismo, a homofobia e outros. Ela também gostou da oficina: "Foi uma
tarde bastante proveitosa onde vi muita coisa que pode ser colocada em
prática no nosso trabalho diário, humanizando e fortalecendo, cada vez
mais, o SUS”, falou.
Para Márcia Rique, diretora do Cefor, e coordenadora executiva da
Conferência, a atividade foi muito importante para agrupar os diversos
trabalhos de arte e cultura que existem nas USF e em outros serviços de
saúde de João Pessoa. "Com isso, fortalecemos essa ferramenta potente
em produzir prevenção, a partir do estímulo da felicidade das pessoas. É
uma semente plantada para, quem sabe, criarmos o Núcleo de Ciências,
Arte, Cultura, Educação e Saúde no nosso Estado”, concluiu.
DIÁRIO DO SERTÃO com Ascom